lunes, 27 de julio de 2015

Distacco automatico

Venerdì scorso John Carlin ha pubblicato delle note di viaggio su New York per raccontare ai suoi lettori di El País che ha tornato alla Spagna «riaffermato». Un esercizio intellettivo che, dato l'ululato del vento alla mesa, solo può essere un'esibizione gratuita ed estiva d'ignoranza —proprio della casa di Tentaciones— o, nella sua versione solenne, un'eruzione di pregiudizi antichi e umiliazioni private camuffata sotto forme pseudogiornalistiche. È la sindrome del giornalismo cittadino, secondo il quale, non è che il personale passi ora i fini settimana paragonando i valori del Nasdaq, ma anzi che alcuni giornaliste —alla fine! alla fine!—si sono gettati a terra come spontanei nella corrida dell'anno.

Carlin vuol uccidere New York, ma non può (capisca l'iperbole) perché questa città da cui scrivo è, come già detto da Camba, automatica. New York non ha cuore per i distacchi di quelli che passeggiano nove giorni Quinta Strada su e SoHo giù, solo ha elettricità per illuminare la via di chi vogliano investire i loro risparmi nei migliori piatti, concerti, esposizioni ed altre sciocchezze di questa civiltà nordamericana così per bene, barbara e antagonista alla nostra del «viva la morte».

Il mito di Carlin è quello dell'umile patio spagnolo pieno di mosche all'aria fresca in cui la vita è quella cosa viscosa, calda e invisibile che uno, a quanto pare, è obbligato a godere senza camicia né freno. Sempre ho sospettato dei deboli sentimentali che ripartiscono sorrisi nel circondario per poi venire ad accennare il denaro sporco nella città dove si fabbrica. Ah, il denaro, che piacere, che grande smascheratore, quella cosa metafisica di cui parlava Dalí che lascia Carlin alle porte di Seseña proclamando: «Nunca seremos tan ricos como ellos, pero somos más felices —y más dignos».

Non c'è niente di personale in tutto questo, trattandosi di un Carlin e un Mediavilla Costa non può essercene, ma mi ammira che il buon uomo utilizzi la questione della mancia «en el mejor restaurante de la ciudad» —enunciazione impossibile e provinciale— per calibrare il grado di civiltà della capitale del mondo. Non c'è niente di personale, ripeto, io stesso odio questa città in molte diverse manieri, ma cerco di sintetizzarlo in proposizioni logiche e contrastabili prima di appendere le mie vergogne al sole.

In fondo, ora che la notte raffredda, è uguale che a Carlin abbiano truffato trenta volte nel cinque stelle Hotel Pierre, che nella sua diatriba tutto sia «molto semplice» o che gli paia che la società-Spanish-way-of-life è «più civilizzata». Persino la famiglia catalana caricata con buste Levi's e nonno in un diner infettato di Times Square, vicino al mostruoso negozio di M&M's, sa che niente di quello che dice Carlin nella sua piroetta transatlantica ha un micron di verità. Lo sa —per scendere all'arena carliniana—quando servono a loro un bicchiere di acqua prima di chiedere l'ordine, quando pagano una tariffa fissa di taxi dal JFK fino al centro e quando si fermano a domandare qualcosa in strada a uno di quelli esseri autoctoni che «desfilan por las calles frenéticos, la mirada fija, con un único y terrible objetivo: sobrevivir». Capisco che per l'autore di un articolo come che mi occupa, la visione di gente da tutto il planeta che va o viene da una cosa chiamata «lavoro» possa sembrare una lotta per la vita o la morte stile savana africana. «El animal hispano está en una fase de evolución superior al animal neoyorquino. Hemos salido de la jungla y aprendido el valor de saber vivir». Lo capisco e già mi arrendo.

miércoles, 24 de junio de 2015

O lesbianismo: instruções de uso



Há algo incómodo por motivo de veraz na afirmação de que La vie d'Adèle é, antes que um romance de lésbicas, uma (grande) história de amor. Não em vão, e históricamente, o melodrama e a homosexualidade têm tendido a se repelir, seja por preconceitos homófobos ou, nos últimos tempos, em virtude duma correção política que tem exaltado o arquétipo na mesma medida em que tem esfumado o indivíduo. Seja como for, isso se manifestou na ausência na «cinematografia guei» (já veem que o digo com prevenção) de casais à maneira do Rick e a Ilsa, o Denys e a Karen ou  o Laszlo e a Katharine. Se o filme do Abdellatif Kechiche supõe um ponto final, deve-se, de certa forma, a que imbui o espectador do anelo, tão feroz como prazenteiro, de que o amor da Adèle e a Emma sobreviva aos títulos de crédito. Trata-se do mesmo sonho que nos leva a suspirar por que o Rick suba ao avião, sem que importe demais que seja a quinquagésima vez que vejamos Casablanca.

Mas assim mesmo, o dia em que fui ver o filme apreciei como, entre uma ação de gemicar ou outra, abria passagem um reclamo burlesco, o típico estalo com que os críticos existencialistas costumam lavrar ata dum detalhe trivial e crucial, qual punheteiros dando gosto à sua perspicácia. Mas a nota de incredulidade não provinha de nenhum Anton Ego, senão de três mulheres que se sentavam quatro ou cinco poltronas atrás de mim. Mais que uma fila, pareciam ocupar uma bancada, que é o nome com que, estranhamente, designamos as cadeiras quando os deputados se convertem em turba.

Já em casa, confirmei as minhas suspeitas: algumas das cenas de La vie d'Adèle, particularmente as de sexo explícito receberam a preceptiva estopa do feminismo radical, sintagma que começa a ser um mero preâmbulo do pleonasmo. Segundo esta corrente de opinião, a relação entre a Adèle e a Emma não era o suficientemente «lésbica»; parecia lésbica, sim, mas não era mais do que um remédio do «auténtico lesbianismo». Tratava-se, enfim, dum artifício ideado para alegrar a vista dos homens heterosexuais (o cerco ia se fechando perigrosamente ao meu redor e dos da minha laia). As lésbicas, insistiam, não nos amamos assim; essas contorções são inverossímis, impróprias da nossa tribo. E, com certeza, nenhuma de nós, quem sabe, alcançou o orgasmo com esfregações como se vê no filme.

Na minha tenra infância ouvi falar do «mito do orgasmo vaginal» e mesmo da imperiosa, quase libertadora necessidade de repudiar a penetração, pois era a prova de que o capitalismo, tão protéico nas suas formas de perpetuação, se apoderara da tua cama. Noutras palavras: aquilo que tu crias um ato de amor era em verdade um engrenagem de transmissão ecológica, uma forma de escorar o sistema, e assim até o temor alucinado e plausível de que cada vez que arremetias contra o sexo da tua namorada morria um negrinho no Sudão, se extinguia uma tribo no Amazonas ou desaparecia uma língua minoritária da vertente norte dum atol do Pacífico. E claro, assim não havia maneira de foder. Nunca tive a menor dúvida de que, entre os ativistas de esquerda, a assunção destes mandamentos eram um mero postureio (nunca mais bem dito!), um tipo de kama sutra espetral polo que todo homem, máxime se se prezava de «novo», tinha que se reger.

Não ignorava, enfim, que se o catolicismo inventou o petting o comunismo o refinou até o indizível, mas o que querem, já não cria provável uma imersão (linguística, sim, todas o são) como a do outro dia, em que o sexo (um sexo esplendoroso, furtivo, celestial) era de novo intercetado numa alfândega.

Mas eu vinha lhes falar doutra coisa, como já começa a ser a minha sina. Eu vinha exaltar a tonificadora francesia deste filme. Não somente porque os seus personagens falem, que também, senão porque os seus personagens leem, e o fazem, ademais, apressados por uma instrução cívica, personificada na delicadíssima careta com que a Adèle, mestra de pré-escolar, vai embridando as tarefas dos seus alunos. Porque nessa leitura gagueada e luminosa adeja o contentamento de viver. Porque, como se usa na pátria de Cahiers, as amantes se beijam a principio e depois já vai tudo de vento em popa, uma crónica aprazível do «durante» e do «depois». E porque o padrastro da Emma costuma cozinhar amortalhando a impaciência com um copo de vinho, como de costume na minha casa.

O professor Santiago Navajas escreveu uma admirável crítica do filme; havia dias que o esperava, pois estava convencido de que não havia melhor vitrina para evidenciar as costuras de La vie d'Adèle que o seu blogue, Cine y política. O grande borrão do seu artigo, contudo, não é que considere que se trata dum filme mediocre, senão este parágrafo:

La tesis de que una mayor apertura intelectual, sea literaria o artística, lleva a una mayor tolerancia moral en cuanto que se está menos sometido a los clichés, por una parte, mientras que se amplía el ámbito de las vivencias imaginarias, por otro, es un buen argumento que el director envuelve torpemente en un bulgar drama pequeño burgués.

Essa tese está soberbamente desenvolvida, porque são precisamente as dificultades da Adèle (e isso, em que pese a ser uma mulher com «inquietudes») para simpatizar com os amigos intelectuais da sua namorada o que termina por afogar a relação. A cultura, sugere o filme, é um dique, ora fantasiado de mirante, ora de quebra-mar, mas dique ao fim e ao cabo; uma pértiga que nos lança polos ares e se acaba quebrando no último minuto para nos furtar o porvir.

Queria dizer isso, sim; quando menos, essa era a ideia que aquela tarde, na penumbra da sala, começara a amassar. Até que essas três graças se enfronharam o traje de policia. E não precisamente para emularem Village People.


viernes, 12 de junio de 2015

Portugal y la UE; una jornada, un suceso, un futuro

Portugal celebró su día nacional, Día de Camões y de las Comunidades Portuguesas, anteayer. Hoy, señalamos el trigésimo aniversario de la firma de adhesión de Portugal y de España a la Comunidad Económica Europea. Después de mañana, conmemoramos el trigésimo aniversario de la firma del Tratado de Schengen.

Los aniversarios y las celebraciones pueden, ocasionalmente, parecer fuera de lugar, repetitivos y, para algunos, sin particular relevancia. Los más jóvenes pueden incluso cuestionar su propósito, y su origen causarles alguna perplejidad. Pero ahora, más que nunca, es necesario hacer una pausa y reflexionar sobre nuestra identidad, historia y futuro compartidos.

Existe efectivamente un hilo conductor que une todas estas efemérides y que es de gran relevancia para Portugal y para sus relaciones con la Unión Europea: los aniversarios nos recuerdan la curiosidad, la impasibilidad y la libertad que constituyen la base del pasado y del futuro de Portugal. Tal como Camões, que con su vida intrépida y con su pluma delimitó y diseñó incluso un sentido de nacionalidad para todos los portugueses, la libertad de circulación instituida por el Tratado de Schengen y la pertenencia a la Unión Europea, evocan el apego de los portugueses por la libertad de circulación en detrimento de las fronteras.

Desde la Revolución de los Claveles hasta el Tratado de Lisboa, la relación entre la Unión Europea y Portugal ha sido recíprocamente enriquecedora. El camino de Portugal en dirección a la Comunidad Económica Europea contribuyó en plasmar y substantivar las políticas tendentes a la adhesión; propició orientación a las reformas económicas, transformó el edificio social de Portugal, a través de inversión, fondos regionales y de investigación, legislación europea, acceso al mercado común y de las cuatro libertades que subyacen a las de la Unión Europea.

Podríamos mirar todo tipo de datos probatorios de los beneficios de la permanencia de Portugal a la Unión Europea: según la OCDE, en los últimos treinta años, el PIB se ha cuadruplicado, la esperanza de vida se ha aproximado a la de las economías más pujantes y los niveles de educación continúan creciendo sustentadamente, teniendo en cuenta que la población con formación superior se ha duplicado, en relación al año 2000. Los derechos por los cuales han peleado los portugueses —y que la pertenencia a la Unión Europea ha reforzado— no son cuantificables, pero ni por eso menos valiosos.

Es innegable que en los 30 años de pertenencia a la Unión Europea ha habido problemas. Los ciudadanos portugueses son los que mejor lo saben. Portugal atravesó y salió del programa de asistencia de la troika, de setenta y ocho mil millones de euros, con pesados costes económicos y sociales. Las familias y los portugueses han soportado los sacrificios con dignidad.

Unidos, hemos conseguido escudarnos ante la amenaza sobre nuestra moneda única y evitar el colapso de nuestras economías; hemos introducido reformas importantes a nuestra gobernanza económica y supervisión financiera. Pero subsisten cuestiones cruciales que nos interpelan: ¿hemos sacado enseñanzas de la crisis? ¿Cuáles son los próximos pasos para la Unión Europea y para Portugal? ¿Tenemos lo que es necesario para pasar de una recuperación frágil a la recuperación del empleo?

Portugal y la Unión Europea atraviesan tiempos inciertos. La volatilidad en la economía y en la escena internacional, los desgastadores debates sobre Grexit y Brexit (la salida de Grecia y del Reino Unido de la UE), hacen vulnerable a toda la Unión Europea. El ritmo de la creación de empleo continúa lento. Uno de cada diez ciudadanos de la UE está desempleado y el problema es particularmente grave para nuestros jóvenes. Los ciudadanos, las empresas y los inversores necesitan certezas para estimular la búsqueda y la inversión. Pero, incluso en este escenario de incerteza, los ciudadanos portugueses no cuestionan la validez del proyecto europeo: sí cuestionan su actuación y sentido de la justicia.

Durante la crisis, la Unión Europea ha estado agonizante. No estábamos preparados para la crisis y tuvimos que construir los instrumentos necesarios para combatirla en plena tempestad. Así y todo, nos faltó un sentido claro de dirección, dado que nuestro primer objetivo era mantenernos en la superficie.

Para salir definitivamente de la crisis, Europa necesita actuar de forma decisiva, con un plano para fortalecerse, en sus políticas internas como externas. Como un navegador portugués en alta mar, después de arreglar su barco destrozado, necesitamos ahora redefinir nuestra ruta con poder de decisión, liderazgo y coraje. Más que nunca, Europa necesita capacidad de proeza de Portugal para continuar su jornada.


Ironía suprema

Cuando yo yera un tiernu infante gafotes con problemes d'adautación social que se vía a sí mesmu como la versión parvularia de Peter Parker —anque les mios facultaes arácnides se reduxeren a pulsiar una sustancia más pellizo y pegañoso que les redes de Spidey—, los tebeos yeren una llectura dirixío esclusivamente a los ñeños empollones y a los adolescentes inmaduros. A un respetable cabeza de familia con bigote y Talbot Simca nin se-y ocurría perder el tiempu colos monólogos ensin sabor de Tintin, los defeutos llingüísticos de The Hulk, los recurrentes gags de Mortadelo y les obvies deducciones de Batman. Nun se concebía naquellos maraviyosos años postdictatoriales un cómic dignu de tal nome destináu a esquisitos paladares adultos, escepto aquel tipu d'historietes de terrar, fantasía y anticipación científico convertíos, pola so abonda ufierta d'abondantes cimarrones semidesnudes, nún casu amañosu pa entregase al onanismu. O aquelles socesiones de chistes ilustraos que nun diben más allá de la sátira política más ramplona o del costumismu picante más rixoso. Entá menos se-y pasaba pela cabeza a naide, neses feches de vagamundia editorial y nulu procuru pol entretenimientu prepúber, la posibilidá d'alcontrar nel quioscu habitual nún cómic protagonizáu por Superman que, respetando escrupulosamente les convenciones xenétiques, la predisposición infantil a asolombrase de les maraviyes y les restricciones moxigates de la Lliga pola Decencia y les Bones Costumes de les Inflexibles Madres Capadores, fuera al mesmu tempu una publicación p'adultos, ye dicir, pa frustraes persones endeudables, qu'estes pudieren lleer con arguyu y provechu ensin necesidá d'amazcaralo ente les fueyes d'una prestixosa revista pornográfica. Esta aparente imposibilidá conceutual ye la que fixo realidá nos años noventa'l siempre atrevíu Alan Moore al convertir un simple encargu alimenticiu con miserables esperances de llucimientu nuna brillante y fonda renovación d'un tal Supreme, un vulgar plaxu hiperviolentu de Superman pasáu de vueltes y d'esteroides.

Alan Moore, como sabe tou trentenu qu'entá simule cola voz el zumbíu d'un sable láser, ye esi inglés barbudu y estravagante con pinta de magu medieval o de flauteru de Jehro Tull que dende fai años ye reconocíu como'l guionista más inxeniosu, imaxinativu y respetuosu cola enrevesgada tradición de los xusticieros superdotaos y ensin sentíu del ridículu, anque tamién abordara con ésitu otros subxéneros xuveniles igual d'absurdos. Na densa y complexa miniserie Watchmen, la so obra más conocida y llograda, na que narra la misteriosa manera de combalachar que tien llugar núna dexenerada ucronía, na que l'aversión y desconfianza ciudadanos ficieron del proteutor heroicu un marxináu indeseable, llevó'l realismu puerco, la intriga xeopolítico y la téunica del leitmotiv simbólico al comic book col propósitu d'acometer un desmontaxe sistemáticu de los superhéroes y una evaluación lliteraria del subxéneru. A traviés del sesudu análisis d'un estrambóticu grupu d'aventureros démodés y xusticieros ensin poderes, compuestu por dellos complexos individuos coles mesmes debilidaes, dobleces y baxeces que cualquier fíu de vecín, integráu por grotesques y turbies versiones de ciertos arquetipos superheroicos (como'l toupoderosu y trescendente semidiós, l'axente gubernamental clandestín, el xeniu megalómanu con gaznaches mesiánicos, l'intransixente castigador caleyeru, el reaicionariu defensor patrióticu, el nocherniegu inventor de gadgets...) pasaos pela máquina pa esmagayar patolóxica del sadismu, la sicopatía, el narcisismu, l'autismu, la paranoya y la inmadurez, too ello sostenío pol emocionante pulsu narrativo del escritor, sacudió y derribó les tresnochaes certidumes y les infecundes inercies con qu'entá se siguíen produciendo los acartonaos cómics de la época. Esta humanización debilitadoro del héroe coincidió cola análoga empresa que deshonra de Frank Miller cola so sombría recreación d'un Batman agriu y fascistoide, d'un detective nocherniegu tan cansáu, decadente y amoral como la corrupta civilización preapocalíptica que-y rodia asfixantemente, representáu como un cincuentón retiráu y furiosu, inadautáu a los nuevos tiempos, que renaz a l'aición col xabacismu y la sede de venganza d'una bestia mancada y perseguida. Magar l'ambigüedá y la violencia del personaxe y a pesar del llamentable estáu xeriátrico de los sos enemigos –que regresen a l'aición como si espertaren de la so pabana atrayíos naturalmente pola postrera entrada del héroe—, Miller consiguió devolver al aveyecíu campeón l'alientu llexendario que-y abandonara y ufrió un fermosu tonu épico-elexíacu a les sos últimes fazañes.

El revolucionariu procedimientu siguíu polos dos autores y que probablemente resulte más enfáticu nel casu de Moore, consistió n'inaugurar una rellectura postmoderna, ye dicir, irónica y paródicamente alloñada, de los modelos que de forma consciente se propunxeron repensar y revivir dende'l puntu de vista d'un filósofu de la sospecha. Tres esta deconstrucción ochentena y con oxíxenu —pero tamién repletada de potenciales peligros— de la figura del héroe popular de consumu, el xéneru paeció entrar nún caellón ensin salida nel que cada vez brotaben parodies más cómodes, superflues y solipsistes d'estes parodies orixinales, convertíes agora n'idees canses y en fórmules comerciales ensin capacidá rexeneradoro. L'universu superheroicu yá nun podía ser igual qu'antes del xiru nihilista, que reconvirtió al héroe clásicu nún cínicu introvertíu, lacónicu, contundente y poco de fiar y que amargó, desorientó, desanimó y atronó les almes qu'hasta entós fueren pures, nidies, equilibraes, resueltes, nobles ya inocentes. Pero tampoco-y taba permitíu siguir transitando per esa estéril sienda redundante que solo conducía a la risible autodestrucción de les fuercies del bien. Cómo mantener la inevitable distancia postmoderno ensin disolver les más valioses cualidaes positives del subxéneru foi la dilema esencial al que s'enfrentaron y respondieron los más valientes y talentosos maestros del ramu, los autores que nos últimos años escribieron títulos tan singulares como Astro City, The New Frontier, The Authority, Planetary, Hitman, Tom Strong, Top 10 y The League of Extraordinary Gentlemen, por citar únicamente les obres que demostraron ser más sólides y redondes.

El Supreme de Moore ye una más d'estes esitoses retentatives de superación del colapsu escépticu. Trátase d'una pura y deliciosa prestancia qu'esconde baxo la so axugadora y llixera apariencia, un complexu estremáu metaxenéricu que llevará a los aficionaos más veteranos, como toes estes obres citaes que vuelven a creyer críticamente nos prodixos, a alcanzar intenses cotes d'un recobráu prestar infantil ensin esixi-yos moderación dalguno del potencial del so intelectu nin suspensión provisional de los sos conocimientos. El proyeutu fúndase nel inofensivu propósitu inicial del autor de llendase n'esclusiva al so propiu disfrute despreocupao y a la pura gayola del llector avezáu. Pa salvar dende'l presente esti gociu escapista perdío o degradao, imaxina una historia actual de Superman a la manera en que se faía na maraviosa Edá de Plata, cuando inclusive la idea más esbarriada alcontraba cabida nunes viñetes trescalaes d'un arramplador espíritu desenfadao; pero agregando a esta xera señardosa la importante novedá que supón interponer ente les antigües y les nueves formes d'espresión la imprescindible mediación cultural, historicista, comparatista y superconsciente propia d'una contemporánea. Moore convoca nas sos páxines al gran iconu superheroicu por escelencia, el noble grandullón inofensivu y toupoderosu, al que solo-y afeuta una estraña y fantástica sustancia que s'alcontra en pequeñes dosis nel universu, xunto a la estrafalaria comisión y l'ablucante atrezzo que-y acompañaron a lo llargo de la so fértil historia editorial: la so apocada identidá civil secreta, la so inesperta mocedá paleto, la emancipada novia golisquera, el primer amor de pueblu no aviáu, la superpariente sexy, la fiel supermascota, el xenial archienemigu, el refuxu non patecible y llonxanu, la sala de los trofeos imposibles, la humilde granxa natal, la cooperación ocasional col detective nochuerniegu, el superequipu definitivu, el traviesu duendu dimensional, l'alter ego negativo, la grotesca copia defeutuosa, la custodia de la ciudá reducida, la cárcel fantástica ensin escape, etcétera. Una vez axuntaos y llixeramente tresfiguraos los elementos fundamentales del cosmos de Superman, Moore manipúlialos y combina al so antoxu ufriendo al conxuntu un falsu aire d'inxenuidá, pero siempre reordenando les pieces más significatives con sabiduría, pertenencia y afán reveladoro.

El brillante xuegu de recreación metallingüístico nel que se fai entrar a estos arquetipos xenéricos alcanza el so momentu más significativu xusto al comentar la historia, cuando la versión de Supreme al estilu sobremusculáu de los noventa llega, inorando la causa, a una estraña megalópolis asitiada nún puntu determináu d'una dimensión desconocío onde son abandonaes, como nún allocáu llimbu pop, les distintes recreaciones de Supremes que les socesives revisiones editoriales y el desinterés del públicu xoven tornaron remotes. Esa suprema ciudá-pastiche, alzada nún estilu futurista de gran elocuencia, concentra tol imaxinariu pasao de moda del héroe, tanto los más llonxevos aciertos canónicos que tuvieron ésitu nel so día como los más gayasperos y fracasaos esperimentos que se fundieron precipitadamente nel olvidu. Hai que destacar tamién, como otru feliz alcuentru de Moore, la estupenda idea de dir intercalando ente les diverses rames del argumentu principal una serie d'historietes cortes que s'autoconcluyen que contrasten cola manera típicamente noventena de la llinia central, por tar dibuxaes y escrites polos autores imitando intencionadamente los usos formales y temáticos de los cómics de muy distintes y significatives époques anteriores. La imitación non solo ye espléndida sinón que llega a ameyorar los estilos orixinales ensin introducir por ello nengún ingrediente ayenu a la década equivocada, y, pa tou aquelli que de neñu lleera les reediciones d'aneyes aventures de Superman o Batman, la so llectura constituyirá una permanente y gociosa sorpresa. D'esta forma llógrase, a traviés de los vieyos y ficticios episodios narraos mientres estos paréntesis anacrónicos, dotar d'una sólida entidá a la historia que trescurre en presente, ufri-y una fonderada qu'enriquece muy suxerente, evocar un ampliu universu centenariu en realidá inesistente, al mesmu tempu que la vida de Supreme se remite a la de Superman y s'entrellacien los socesos y personaxes coles demás referencies superheroiques que posee'l llector corriente. Esti recomendable títulu menor de Moore, nel que l'autor s'atreve a abordar sutilmente temes tan estraños al cómic como la propia historia del cómic, ye recorríu de principiu a fin por un reparador soplu d'aire fresco, llibre y xiro, como si'l llonxevu héroe del pulp tuviera renaciendo ante los nuesos asolombraos güeyos y tuviéramos la fortuna de tar lleendo per primera vez les sos increyibles aventures. Dalgo asemeyo trataron de facer los autores d'All Star Superman, anque al mío pensar —que contradiz l'hiperbólicu xuiciu de la mayor parte de los fans del home d'aceru— con munchu menor aciertu, complexidá y estratos de llectura que Moore; principalmente porque nesa intelixente y eficaz vuelta a la maxa de los pioneros s'equivocó'l problema de la distancia crítico y la correlativa reflexón metaxenérica. Supreme nun se reduce a la recuperación señardoso del pasáu, lo que lo convertiría nún exerciciu d'estilu retro ensin munchu interés y, dende llueu, d'un valor escaso, sinón que, como esplica'l propiu Moore nunes arrellumantes pallabres, intenta ofrecer "una forma d'enfrentar lo retro a lo contemporáneo", la forma d'encandilar y les rareces de los elegantes cómics primitivos a la puxanza y al estremismu que demanden unos xóvenes acostumaos a les dinámiques formes del manga. Non solo lo intenta sinón que, al mío xuiciu, lo consigue en demasía, pues de nun ser asina nun m'allargare con tal crueldá pa col impaciente llector mediu de reseñes de cómic; esi grosapetu individuu con déficit d'atención y problemes de comprensión llectoro que fantasia con allancase un esqueletu d'adamantium y abusar del cadabre de Gwen Stacy.


miércoles, 3 de junio de 2015

#LaAsturiesdelSÍ y la del sí...: la oficialidad en las elecciones

Izquierda Unida es la única representación este año en la Junta General que no solo apuesta de forma nítida por la oficialidad sino que presenta su programa electoral en lengua asturiana, como ha venido haciendo desde hace tiempo. Andecha Astur, ha venido haciéndolo desde la primera vez que se había presentado a las elecciones y Foro apuesta por la oficialidad aunque con la matización de que se alcance para ello un consenso abundante. El caso más enredado es el de Podemos, que tiene en su programa la oficialidad como derecho fundamental, pero en las declaraciones públicas de sus dirigentes no cuenta lo mismo que en su programa electoral y deja abierta la puerta a la especulación.

Izquierda Unida no deja duda a su postura con respecto a la oficialidad: "en el nuevo Estatuto vamos a establecer de una vez la oficialidad de la lengua asturiana, y de la fala o gallego-asturiano en su ámbito territorial tanto para garantizar el mantenimiento de uno de los más importantes patrimonios culturales de los que gozamos, nuestra lengua, como para reconocer los derechos lingüísticos de los asturianohablantes".

Y en materia de comunicación deja también fijado el compromiso de un presupuesto para la RTPA que sea abundante para garantizar una programación estable y de calidad que cumpla con los objetivos de articular social y territorialmente la comunidad autónoma, "expandiendo al máximo la realidad cultural asturiana, con mención expresa de una programación en asturiano que cohesione la lengua con las miras de la oficialidad".

Izquierda Unida es la más ambiciosa de las formaciones al hacer propuestas en su programa electoral donde defiende "nuestra idea de Asturias como país, de autoestima como pueblo, de la defensa de nuestras señas de identidad, de la protección y fomento de nuestro patrimonio cultural, del reconocimiento de nuestra lengua, dentro de un proyecto global para Asturias". Para ello plantea unas propuestas concretas entre las que se encuentran las que vienen enseguida:


  • Fomento de desenvolvimiento de la oficina de la Normalización del Uso de la Lengua Asturiana.
  • Elaboración de un estudio riguroso y científico de la toponimia tradicional en Asturias.
  • Elaboración de un plan de normalización que contemple el uso de la lengua para:
    • Folletos, dípticos, carteles, catálogos artísticos... donde se recoja información, publicidad institucional o anuncios de actos culturales, deportivos o festejos organizados por la administración.
    • Rotulación en todos los departamentos y servicios que dependen de las administraciones públicas. Bandos y edictos, anuncios oficiales en la prensa y otros medios.
    • Empleo en la escritura del nombre del Principado.
    • Campaña de explicación con las medidas normalizadoras y de sensibilización ciudadana con la lengua asturiana.
    • Cursos de lengua asturiana para funcionariado.
    • Asignación de una partida presupuestaria anual abundante para la realización de las propuestas anteriores.
    • Puntuación del conocimiento de la lengua asturiana en el acceso al empleo.
Foro Asturias

Las propuestas de Foro respecto de la lengua van fijadas en el capítulo de cultura de su programa electoral y se enmarcan en un apartado de patrimonio lingüístico donde se dice nítidamente que apoyarán "cuando se den las circunstancias políticas y el consenso social necesario que dejen la reforma de nuestro Estatuto de autonomía, el cambio de su artículo 4 para incluir la oficialidad, tal como se recoge en el artículo 3.2 de la Constitución española".

Asina Foro se pronuncia por la oficialidad pero deja en manos de las otras fuerzas la posibilidad de que esa oficialidad pueda declararse en el Estatuto, justamente lo que los candidatos de Podemos dicen en sus declaraciones públicas también.

Foro dice en su programa que "las lenguas autóctonas de Asturias constituyen una parte irrenunciable de nuestro patrimonio cultural, un factor sustancial de nuestra identidad como Comunidad Autónoma, pero también parte fundamental del patrimonio común de todos los españoles, que su preservación es es responsabilidad principal de los asturianos". Por todo ello en Foro dicen que van a "trabajar por un amplio consenso social y político en la defensa de las lenguas de Asturias, respetando la libertad y la voluntariedad de su uso sin imposiciones pero también sin torgas para los ciudadanos". Y al mismo tiempo dicen que van a "contribuir a la normalización lingüística en todas las esferas de la sociedad asturiana promoviendo la presencia de nuestras lenguas en la enseñanza, en la toponimia y en los medios de comunicación" y a "hacer cumplir las leyes y disposiciones de la Unión Europea en materia de defensa de derechos lingüísticos", desenvolviendo "reglamentariamente y de manera no restrictiva la ley de uso del asturiano y del gallego-asturiano".

Podemos o no

Las propuestas de Podemos son nítidas en su programa electoral, pero no concuerdan con las declaraciones resbaladizas de su candidato Emilio León y de otros candidatos que hablan todo el tiempo de consenso como Foro.

En el programa de Podemos se dice bien a las claras que "los hablantes de asturiano tienen los mismos derechos que cualquier persona hablante de otra lengua; por ello, tienen que reconocérles los mismos derechos lingüísticos, como el derecho a expresarse en asturiano". Y a causa de ello mantienen que "es necesario garantizar su presencia en los medios de comunicación, en las comunicaciones institucionales, en la toponimia, en la enseñanza, etcétera".

Además, Podemos defiende la Declaración Universal de los Derechos Humanos y, por tanto, "aspira a deshacerse de todas las discriminaciones, del tipo que sean. Que el marco jurídico constitucional dé al castellano el rango de lengua oficial, obliga a los territorios con lenguas propias a darles a estos un tratamiento equivalente para salvaguardar la no discriminación de sus hablantes".

En este sentido, su propuesta 188 plantea el "reconocimiento de los derechos lingüísticos de las personas hablantes de asturiano y, en su ámbito, de gallego-asturiano, a través de la promoción de la lengua a la categoría jurídica de cooficialidad por mediación de la reforma del Estatuto de Autonomía". Y con carácter inmediato, plantea el "desenvolvimiento pleno de los derechos lingüísticos de los hablantes de asturiano y, en su ámbito, de gallego-asturiano, en el marco estatutario y legal vigente, con especial atención a la Carta Europea de Lenguas Regionales y Minoritarias".

Podemos plantea también en el programa cosas que no se oyen en sus intervenciones públicas como desenvolver un Plan de Normalización Sociolingüística para la Ley de Uso y Promoción del asturiano y el gallego-asturiano y crear un marco global que apiñe todas las acciones sobre política lingüística que se impulsen desde una Acción de Gobierno.

También plantean la puesta en marcha de programas en lengua asturiana y gallego-asturiano en los medios de comunicación de titularidad pública, garantizando "el derecho de la ciudadanía a llegar a contenidos audiovisuales en su lengua. De esta manera, los medios de comunicación van a contribuir a la equiparación de todas las lenguas de Asturias en el espacio público, asegurando la dignificación de sus hablantes".


jueves, 7 de mayo de 2015

O último grito de «Míchel, maricón»


Nun deses capítulos de The Simpsons repetidos unha e mil veces, Homer está coa súa familia no chanzo vendo un partido e empeza a insultar a un dos xogadores. Non son insultos moi graves porque á fin e ó cabo falamos dunha serie de debuxos animados, pero si os típicos «non vales nada, es unha cativa, seguro que teu pai se avergoña de ti», etc. Cando alguén o reprende polos comentarios, a resposta de Homer é a habitual nestes casos: «Bah, é un profesional, a el estas cousas non lle afectan», tralo cal se ve un primeiro plano do xogador en cuestión caéndolle unha lagrimiña polo ollo esquerdo.

A escusa de Homer Simpson é a escusa do afeccionado medio ó deporte de alta competición: o insulto non é algo persoal, é simplemente un modo de desconcentrar ó rival ou desafogarse un mesmo. A idea dos estadios de fútbol como terapias de grupo ten sido amplamente estudada nas últimas décadas e hai moito de certo, aínda que logo chegan os excesos e preocupámonos.

Vaiamos ós oitenta, por exemplo. Nesa década conságrase un grupo de afeccionados ó baloncesto, en concreto ó Estudiantes, que se fai chamar «La Demencia». O seu principal activo é que son enxeñosos e que ata certo punto resultan pacíficos. «La Demencia anima sin violencia», gritan unha e outra vez para se diferenciaren doutras afeccións que naqueles anos enchían o país, incluso coas súas revistas esperando nos quioscos. Eran tempos de Ochaíta e Boixos Nois, Frente Atlético e as súas bandeiras con aguiela, Guus Hiddink en Valencia dicindo que non empezaba un partido ata que non retirasen as bandeiras nazis dun fondo.

A violencia, efectivamente, estaba en todos lados, máis o menos soterrada e fronte á violencia, o insulto era incluso desexable. Porque o caso é que La Demencia insultaba, por suposto. Ás veces con enxiño e ás veces sen o máis mínimo. Eu lembro un partido no que a Antonio Machín lle tocou lanzar dous tiros libres e a alguén non se lle ocorreu outra cousa que gritarlle «Iba borracho, Fernando iba borracho» a pleno pulmón, en referencia a seu irmán recentemente falecido, idea que nos pareceu marabillosa e que ós nosos catorce anos empezamos a repetir cada vez que a Martín lle pitaban unha falta a favor.

Na casa, miña nai explicoume que gritar iso o converte a un nun miserable e que ser un miserable non é algo que se poida cambiar segundo esteas fóra ou dentro dun recinto deportivo. Desde entón, como bo fillo, procurei moderalo meu odio ó contrario e afastalo incluso da miña conta de Twitter, que ás veces non é fácil.

Porque si, o que se esconde é odio mesturado con adrenalina. Digamos que a adrenalina está no 90 % dos presentes nun estadio. É algo razoable porque queren que o seu equipo gane e o outro perda e están dispostos, ata certo punto, a facer todo o posible por acercárense ó obxectivo. Hai, ás veces, como engadido, un odio relativo e un odio absoluto. Odio relativo é o que sente un afeccionado do Real Madrid cara ó árbitro cando este non lle pita un penalti que considera clarísimo. Non hai nada persoal, nin sequera se sabe o seu nome, pero insúltao como se lle fose a vida niso porque se considera cravado, roubado, calquera dos adxectivos que logo verá repetidos na portada da prensa afín ó día seguinte.

Odio absoluto é o que senten determinados afeccionados do Barcelona polo Espanyol, ou do Sevilla polo Betis ou, por que non, do mesmo Estudiantes cara ó Real Madrid e viceversa, por suposto.

A normativa que quere implantala LFP para regulalos insultos nos campos de fútbol é, en resumo, un intento de regulalo odio e á vez regulala adrenalina. Non sei se iso é posible nesta cultura e tampouco me consta que noutros países máis civilizados a cousa estea moito mellor, máis ben diría o contrario, que hai un efecto imitación de países como Holanda ou Italia. É verdade que rara vez se ve un partido da NBA con miles de persoas coreándolle «Motherfucker» ó árbitro, pero supoño que tamén terán o seu; á fin e ó cabo falamos dunha liga onde un tío foi suspendido durante máis de sesenta partidos por  subir ó chanzo e learse a moquetes. O que me preocupa é que en realidade o intento quede nunha banalización da violencia reducíndoa a algo incontrolable para logo poder dicir «intentámolo pero non houbo maneira».

Entre a familia e a Familia

Nun excelente artigo, Gemma Herrero, ex-redactora do diario Marca e na actualidade colaboradora de El Confidencial, criticaba as declaracións de Luis Enrique nas que acababa por dicir que se de verdade iamos botar a cada afeccionado que insultase no campo igual ó final os xogadores quedaban sos. O historial de Luis Enrique como xogador, sempre próximo ós grupos máis activos e agresivos naqueles loucos anos noventa, non invita a pensar en que ó agora adestrador do Barcelona lle preocupe moito o tema da violencia nos chanzos.

En calquera caso, se lle preocupa ou non, é irrelevante. O que dixo é verdade, non é rebatible. Outra cousa é que nos guste que sexa así, que a min e logo non me gusta. Gemma pon un exemplo concreto que resulta moi claro: «Que le pregunte a Piqué si echaría a los que llaman 'puta' a Shakira». Pois claro que os botaría! E o árbitro botaría ós que chaman «puta» á súa nai. Pódese argumentar que o que chama «fillo de puta» a un árbitro en realidade non coñece á nai do árbitro pero dubido moito que ninguén dos que llo chaman a Shakira teña o gusto de ter leriado con ela.

É o mesmo: insúltote porque ódiote e ese odio ven xerado desde moi enriba. Está por todos lados na sociedade: odio á casta, odio ós que odian á casta, odio ó xefe déspota, odio ó empregado vago, odio a La Pantoja, odio ós xuíces, odio a Rato, odio ós perroflautas, odio a España, odio a Cataluña... Odio moi ben alimentado e moi ben pastoreado porque dá resultados, porque o odio é o que une ás tribos sen proxecto común e nestes días en España, proxectos hai os xustos, só un simple «none of the above», ó Richard Pryor en Brester's Millions, que podería resumilo clima social.


España, e non só España, é ese país que está desexando saír á ventá e gritar: «I'm as mad as hell and I'm not going to take it anymore», como pedía un desencaixado Peter Finch na película Network. Moita xente sábeo e aliméntao. O odio é poder, case tanto coma o afecto. A violencia é poder, por suposto, e convén estar preto. Joan Laporta desmarcouse nada máis chegar á presidencia e custoulle ameazas de morte, pintadas na casa e un acoso que requiría intervención policial. Florentino tardou un tempo pero fíxoo tamén, vendo cómo en ocasións se ameazaba incluso o descanso dos mortos.

Outros seguiron ese camiño, pero non e logo os Gil co Frente Atlético nin Lendoiro cos Riazor Blues. O outro día, Javier Tebas, presidente da LFP cesaba «sin dudar ni un instante» ó ex-presidente do Deportivo por asistir ó enterro de «Jimmy», o afeccionado asasinado no Manzanares. Lendoiro afirmou que coñecía á familia e quería darlle o seu apoio e só faltaría que eu tivese que dicirlle á xente cándo pode ir e cándo non pode ir a un enterro, que non é precisamente unha festa con pallasos e confetti para todos.

O que lle pareceu a Tebas é que Lendoiro máis que á familia de «Jimmy» coñecía á Familia e que era a eles ós que daba o seu apoio, por iso o fixo cesar no seu cargo de embaixador do fútbol español. Cantos presidentes utilizaron ós ultras como garda pretoriana para ganaren eleccións o simplemente protexérense das críticas do resto do estadio? Cantos ségueno facendo mentres se rachan as vestiduras e din «isto non ten nada que ver co fútbol, isto é unha cuestión de política»? Por suposto: o Frente Atlético é de «extrema dereita» e os Riazor Blues son de «extrema esquerda», por iso estaba Lendoiro, ex-concelleiro e ex-presidente da deputación co PP na comitiva.

A violencia é poder, xa está dito, e polo tanto, a violencia é política. Os amigos e os inimigos, mellor tenelos cerca.

O termo medio entre a garganta e a bola de aceiro

Xunto ós presidentes de fútbol, que se deron conta de repente de que neste local se xoga, se indignan tamén moitos xornalistas deportivos. Que foi o periodismo deportivo dos derradeiros anos senón unha morea de incitacións ó odio? Periodismo de bufanda e bandeira sempre fronte á bufanda e bandeira allea. Todo, absolutamente todo, entendido como unha provocación. Fotos cos Ultra Sur o co que quede dos Boixos o co Frente o con quen faga falta. Os que se enfrontaron a esa maneira de facelas cousas, ben o pagaron.

Agora que o insulto se vai perseguir e todo van ser «cánticos correctos», como se dicía a pasada fin de semana en Twitter, é momento de preguntarse: non hai como douscentos termos medios entre copar un fondo con esvásticas e bandeiras pre-constitucionais, desexarlles a morte ós xa mortos e quedar cos vivos para golpealos ata dexalos inconscientes e logo tiralos a un río xeado... e chamar «fillo de puta» a un árbitro ou «subnormal» a Messi? E non quero que se confunda ninguén: eu non chamaría nunca «subnormal» a Messi nin «maricón» a Míchel nin «filloputa» a Cristiano nin vería relación familiar algunha entre Amunike e o adestrador do Barcelona, pero de verdade é necesario chegar a este punto despois de anos vendo cómo esa «xente» se facía co estadio mentres a LFP miraba cara a outro lado ou apoiábase directamente neles?

Como son un malpensado, me dá que todo isto é unha bomba de fume. Podo trabucarme e oxalá me trabuque. Cando a masa exerce de masa o fai con tódalas consecuencias e o insulto non é a peor delas. En calquera caso, a masa destaca por ser difícil de controlar e este tipo de medidas non levan a ningures porque ninguén vai vixiar que non se insulte e nin sequera é fácil definilo que é insulto e o que non, recorden o de Antonio Martín e seu irmán Fernando. Son brindes ó sol condenados a provocala frustración entre a xente. Dentro dunhas semanas alguén dirá «intentámolo pero foi imposible» e quédame a dúbida de se daquela se darán conta dos pasos que saltaron e intentarán ir un pouco para atrás.

Eu, como afeccionado, comporteime como un miserable moitas máis veces das que sabe miña nai, aínda que pode que o intúa. Fun a partidos de baloncesto e de fútbol onde os insultos empezaban dirixíndose ó equipo contrario, logo ó árbitro e se as cousas ían mal ós propios xogadores, sempre peseteros, vagos e mullereiros cando perden. Non vou dicir, como Homer Simpson, que iso vai no seu soldo porque é mentira. Piqué ten todo o dereito de enfadarse porque chamen «puta» á nai dos seus fillos igual que Eto'o fixo moi ben en irse do campo cando se cansou de que lle fixesen ruídos de mono cada vez que tocaba un balón. Nalgún momento hai que dicir «basta».

Paréceme ben que se inicie unha certa pedagoxía que faga que sexamos máis tolerantes co outro pero, como a virtude de calquera pedagoxía é que sexa realista, que non confunda os feitos coas vontades, me parece un disparate empezar esta casa polo tellado. Si, nosoutros gritábamoslles barbaridades a Antonio Martín e a Alberto Herreros, pero había outros que nos tiraban bolas de aceiro e nos ameazaban con navallas.

Pensar que non hai diferenza entre a navalla, a bola de aceiro e a garganta é estar noutro mundo. Un mundo de azafatas, comida e bebida gratis e calefacción baixo o asento. Un palco, en definitiva, onde tódolos problemas quedan igual de lonxe e se solucionan da mesma maneira: con torpeza.

domingo, 3 de mayo de 2015

Europa no aprende de su pasado

La cifra de refugiados en el mundo ha alcanzado este año los 50 millones de 1945, en el fin de la II Guerra Mundial. Aquella terrible experiencia llevó a la creación del Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los refugiados (Acnur) en 1950. Volver a aquellas cifras merece que pensemos en aquel pasado y en este presente. Las imágenes de estos días de los barcos atestados y las de los muertos flotando no son nuevas, las hemos visto a diario en los últimos años, incluso las de muertos lanzados por el mar en playas llenas de bañistas echados al sol. Las noticias y las imágenes asaltan levemente nuestra tranquilidad en una escalada que dura ya, ¿cuánto? ¿Dos décadas? Europa se conmociona, se lamenta su opinión pública y las autoridades hablan de reaccionar sin conseguirlo nunca. Solo atinan a expulsar más y mejor a los que llegan, a blindarse más y mejor en una escalada desesperada para construir el Muro de Adriano, la muralla china, defender las Termópilas o inventar un limes capaz de frenar a los bárbaros que, como estudiamos en la escuela, siempre quieren acabar con nosotros. La opinión pública europea reacciona de vez en cuando, por el número y su magia (700 muertos en un naufragio), por la fuerza de la imagen. Hasta la próxima.

Si hablamos de cifras todo adquiere otra dimensión. ¿Qué significa la emigración que rechazamos sobre el conjunto de los 500 millones de habitantes de la Unión Europea donde están algunos de los países de menor crecimiento vegetativo? Los refugiados de todo el mundo en este momento suponen solo el 10 % de la población Europea y no todos quieren ni pueden venir a Europa, pero sería factible una amplia política de acogida. El ritmo general de inmigración venía siendo en este siglo de 1,5 millones anuales pero en el 2012 solo el 4 % de la población de la UE eran extraeuropeos (20 millones). Los inmigrantes ilegales interceptados en las fronteras rondaban los 100.000 pero el año pasado superaron los 250.000 y los inmigrantes que murieron intentando entrar hasta el 2013 se estiman en 23.000, en el 2014 fueron 3.000 y en lo que llevamos del año ya superan los 1.700. De las razones de la emigración no tienen que hablarnos a los gallegos y de las del exilio a nadie con memoria. Sabemos por qué la gente emigra y por qué aumentan las cifras de inmigrantes clandestinos desesperados en los últimos años de destrucción de Estados y guerras civiles.

Sabemos muchas cosas, pero olvidamos las razones que llevaron a la creación de la Acnur después de 1945. No fue la guerra en sí, sino el recuerdo de los refugiados españoles de 1939, de los alemanes y de otros países en 1945 atestando barcos que naufragaban, de la responsabilidad de los 32 países que asistieron a la Conferencia de Évian sobre la emigración judía (1938) y la conciencia de haberla hecho vagar de puerto en puerto, en barcos como el St. Louis, cuando escapaba de un Holocausto que todos facilitaron por mucho que le sigamos echando la culpa a los ejecutores nazis de Alemania y otros países. El «drama de la emigración» como le llamamos con frecuencia parece tener mal amaño pero solo el 14 % de los europeos están en contra de la inmigración. No le echemos la culpa a la opinión pública, como hicieron en 1939, sino a quien tiene en la mano la solución.

viernes, 1 de mayo de 2015

Los catalanes van, los escoceses vuelven

El independentismo escocés ofrece un modelo de sociedad, mientras que el catalán ve la independencia como un objetivo en sí mismo.

Escocia ya no sirve. Una vez celebrado el referéndum, el nacionalismo escocés ha dejado de interesar al soberanismo catalán. Funcionó muy bien para ejemplificar la idea aislada de un referéndum de secesión autorizado por el Gobierno central. Es decir, era el ejemplo que restregar a Mariano Rajoy por su negativa a aceptar la propuesta de Artur Mas.

Pero a duras penas sirve de espejo después del 18 de septiembre, fecha del referéndum perdido por Alex Salmond. Las derrotas acostumbran a ser poco inspiradoras, y por lo que parece no lo son ni siquiera cuando tienen, como es el caso de Escocia, los rasgos extraños de una derrota victoriosa, en la que las ideas y los proyectos no consiguieron la mayoría requerida pero hicieron progresos ostensibles que ahora mismo ya están madurando de cara a las elecciones generales británicas del 7 de mayo.

Tampoco inspiran dimisiones como la de Salmond, sustituido sin dilación como líder por Nicola Sturgeon. Y no inspiran sobre todo en países poco proclives a sacar consecuencias de las derrotas electorales. Tampoco está resultando muy inspiradora la nueva trayectoria del Scottish National Party (SNP), probablemente porque ahora se está comprobando lo que entonces no se quería ver, y es la débil relación entre las dos reivindicaciones nacionalistas, las escocesas y las catalanas.

Se vio entonces y se ve con más claridad ahora: Escocia no perdió el referéndum. Perdió la independencia pero ganó el país en su conjunto, porque consiguió más fuerza dentro del Reino Unido. Escocia quería antes que nada ampliar su autogobierno y lo conseguirá si las elecciones del 7 de mayo para la nueva legislatura de Westminster consiguen los resultados que señalan las encuestas. Y obligará, además, quieran o no en Londres, al hecho de que la estructura del Reino Unido evolucione hacia el estado federal.

Ahora lo que más le interesa al SNP es ser decisivo en Londres, cosa que fácilmente puede conseguir si se confirman los sondeos, que le dan 50 o más escaños sobre 59. Después de barrer a los conservadores de Escocia –ahora tienen un solo escaño en la actual legislatura de Westminster– se propone barrer a los laboristas, a los que desbordan por la izquierda y están sustituyendo entre los electores de las clases más desfavorecidas escocesas.

Sturgeon ha dejado aparcadas tres de las propuestas más destacadas del programa: la autonomía fiscal, el cierre de las bases de submarinos nucleares Trident y un nuevo referéndum de independencia, que ya no son prioridades para esta legislatura, sobre todo de cara a establecer alianzas parlamentarias o de Gobierno con los laboristas, los únicos con los que quiere asociarse.

Respecto al referéndum de salida de la UE, su propuesta es la más europeísta y la más consecuentemente soberanista. Los conservadores, obligados por la presión del UKIP, proponen el referéndum de salida sin más; los laboristas quieren congelar toda nueva transferencia de poderes a la UE si no hay un referéndum de por medio; y el SNP exige en cambio una doble mayoría del conjunto del Reino Unido y de las cuatro naciones constituyentes. Esta propuesta presupone que si vencen los tories, convocan un referéndum y el resultado es el Brexit (salida de la UE), entonces los escoceses irán a otro referéndum para salir del Reino Unido y quedarse en la UE. El separatista de un separatista europeo es un unionista... europeo.

Algo habrá hecho bien el SNP para que la victoria sea una victoria política e incluso un salto hacia adelante en su poder y capacidad de influencia en el conjunto del Reino Unido. Entre las cosas que ha hecho bien está la claridad de sus propuestas de referéndum independentista, que llevó en el programa electoral con el que venció y obtuvo el Gobierno en Escocia y también la precisión de su programa europeo, social, económico y de defensa. Las dos cosas contrastan con la confusión y las ambigüedades perfectamente calculadas de CiU, partido que, a pesar del giro independentista de los tres últimos años, llevará por primera vez la propuesta de independencia en el programa para las próximas elecciones del 27 de septiembre.

Salmond peleó en la campaña del referéndum por un modelo de sociedad escocesa independiente, no por una independencia en abstracto. La independencia escocesa es claramente europeísta y de izquierdas, mientras que en Cataluña se nos propone el camino inverso, primero decidir que somos independientes y después ver qué tipo de país independiente queremos ser. No es fácil confiar en un camino en el que se deja para el final el contenido, que es el modelo de sociedad. No es seguro que los votantes de izquierdas quieran una independencia como la de Singapur, ni que los de derechas la quieran como la de Venezuela. La independencia escocesa es un instrumento para obtener un modelo de sociedad, mientras que la catalana tal como se ha propuesto hasta ahora es un objetivo en sí mismo, cuyas bondades se presuponen siempre y en cualquier de los casos. Los catalanes solemos creer que cuando los otros van, nosotros volvemos, pero el caso escocés parece demostrarnos exactamente lo contrario. No sé demasiado bien si seremos capaces de mirarnos de nuevo en este espejo y aprender un poco de Escocia.

Visca l'Azcona


Començaré per en José Luis Cuerda, que se'n va anar d'Albacete a Madrid perquè el seu pare va guanyar un pis en una timba. Allà un dia l'home va asseure la seva família en un sofà i es va quedar mirant a tots mentre s'encaixonaven en silenci. Al cap de cinc minuts va parlar: "Estoy pensando en comprar un coche y quería saber si vosotros sabéis ir en uno". Finalment el va comprar: un 600 rosa.

Amb els anys en Cuerda va voler comptar amb en Fernán Gómez al seu primer treball. L'agent de l'actor li va escriure acceptant l'oferta amb un parell de condicions: "Mi representado no puede leer seguidas más de 31 líneas de diálogo y no hará al día más de un folio y medio de rodaje". En Cuerda va transigir-hi: "Todos sus diálogos son inferiores a 31 líneas salvo uno que tiene 32. Y nunca rodará más de un folio y medio al día salvo uno que haría un folio y medio más tres líneas". "Por razones obvias", va contestar l'agent, "mi representado no participará en la película".

En José Luis Cuerda, tovalló lligat a la samarreta, faceciós i jocós com un gran Falstaff, parla en un restaurant de Pontevedra mentre gaudeix del seu sanclodio, que imagino trepitjat per ell en grans cabassos dels seus vinyars. Una hora abans recordava a en Luis Ciges, que va aparèixer un dia al rodatge fet una coca perquè la seva dona li havia demanat el divorci, "y lo peor es la razón que me ha dado: que quiere una vida mejor; ¡nos ha jodido!". En Berlanga se'n va anar amb la Divisió Blava a Rússia i una nit li va tocar fer guàrdia enmig de l'estepa. Imbuit de heroïcitat, va romandre amb els ulls molt oberts mirant cap a l'horitzó amb el fusell enlaire. "Era tal la oscuridad que más que a los rusos tenía miedo a Drácula", va dir a en David Gistau. Quan va començar a apuntar el dia en aquell ermàs nevat va adonar-se que havia passat la nit davant d'una paret. En Cuerda va fer Amanece, que no es poco, una de les rareses més exquisides del cinema espanyol, resum gairebé harmoniós d'aquella Espanya de què procedien els seus antics còmics ("un hombre en la cama es un hombre en la cama" adverteix un pare al seu fill quan els toca dormir junts). En Ciges vivia a l'encreuament de Marquès d'Aranda amb Ferraz, i quan s'avorria sortia amb un amic a la terrassa a veure accidents: "Es el cruce en el que más choques hay de Madrid", deia mentre veia senyors fent escarafalls al costat de dos cotxes empotrats.

Aquella Espanya, sí. Però és l'abril de 2008. Ha mort fa un mes Rafael Azcona. "La mejor persona que yo he conocido en mi vida" diu en Cuerda. "El cerebro más despierto, la ética más estricta. Siempre digo que las dos mejores películas de la Historia son Plácido y El apartamento. Porque miran de frente a la condición humana, al hombre. A su misma altura". Amb això tenia a veure la màxima de l'Azcona, que deia que els cineastes espanyols no eren millors perquè viatjaven en taxi, no en autobús. Ell deia que calia barrejar-se amb la gent, estar al peu del carrer i tafanejar-ho tot. "Yo de lo que abomino es de esas películas en las que durante hora y media te torturan con problemas irresolubles, y luego, en los metros finales, la cosa se arregla por arte de birlibirloque para que nos vayamos a casa tan contentos. ¡Qué estupidez, esa del final feliz como garantía del taquillazo! ¿Lo tiene Romeo and Juliette?", va dir a la revista Kane 3.

El pare de l'Azcona es deia Dionisio i era sastre a més de coix, membre d'una colla anomenada los Cojos Toreros; encara que la família va passar moltes penúries, a casa es cosia i es planxava cantant sarsueles. En Bernardo Sánchez Salas, al pròleg al llibre Por qué nos gustan las guapas (Pepitas&Pimentel, 2012), primera de les tres parts de l'obra completa de l'Azcona a La Codorniz, recorda que amb 14 anys va estar a punt d'entrar com a dependent a la farmàcia d'en Jesús González Cuevas, al seu Logronyo natal. Per llavors el noi Azcona s'escrivia cartes a si mateix en què fantasiava posant-los dates del futur i situant-les a llocs exòtics, com Honolulu, 1 de juny de 1979. El noi pintava i escrivia, i gairebé des del primer número comprava La Codorniz, la qual cosa li va portar a l'humor, car ell, diria després, havia començat escrivint versos perquè una senyora rossa no li feia cas.

"Cuando estábamos en el guion de La lengua de las mariposas, yo escribía una escena en la que una mujer apoyaba su espalda en la pared y se le escapaba una lágrima", diu en Cuerda. "¿Una lágrima?", saltava l'Azcona: "¡una mierda!". A l'autor de la trilogia nacional o La vaquilla se li sobreentenen certes maneres. Com que a El bosque animado en Cuerda suggereixi apropar la càmera al cadàver i l'Azcona, pietós, digui: "Déjala estar, que bastante tiene con lo suyo". No haver vist Plácido és no haver entès res d'aquest país i estar en ell per estar-hi, com un turista. Espanya és un lloc en què sempre hi ha un innocent perseguint algú perquè li doni una fortuna amb què pagar la lletra del motocarro. Un país en què qui va a la feina com a l'escorxador és un verduc. Un indret en què l'aristocràcia decadent, al seu jaç de mort, demana que entri el servei, "que li encanten aquestes coses". Aquell país que l'Azcona va escriure era el que no es podia fingir, perquè el feien els cervells més insolents i prodigiosos de Madrid, que no era Madrid sinó lloc de reunió, per això als cafès anys abans s'hi posaven i s'hi treien reis, i al 1965 en Raúl del Pozo lamentaria al tornar de l'enterrament d'en Ruano: "No lo pasaremos tan bien hasta que se muera Azorín".

L'Azcona deia que sense humor hauríem desaparegut. Solia citar a en Samuel Johnson: "No man but a blockhead ever wrote except for money". I és necessària l'escassetat de mitjans o fins i tot la censura per afilar l'enginy?, li vam preguntar una vegada. "Eso es una falacia. No creo que a la hora de engendrar un hijo, y por el bien de la criatura, haya que machacarle al padre un testículo".

En Juan Cruz el va tractar a partir de 1996. Sempre hi ha un moment a la vida dels castellanoparlants en què els tracta en Juan Cruz, un ritu semblant al de la primera comunió, i en Juan Cruz els esprem en anècdotes com si fossin suc daurat. Sol escriure'l després bellament si té el dia fèrtil, i a l'Azcona va dedicar un text estupend, vibrant, desestereotipat. "El tiempo me devolvió un Azcona distinto a aquel misántropo que mi imaginación había dibujado. Al contrario, era un ser muy delicado con los otros, pugnaba por hacerlos felices y rara vez podías verle resentimientos, resquemores u odios. Es de una generación de hombres complejos –Rafael Sánchez Ferlosio, Ignacio Aldecoa, Dionisio Ridruejo– que la historia dotó de contradicciones internas que les llevaron al ensimismamiento, al desencanto o el alcohol; lo que había alrededor era una ruina, y a veces una ruina de la inteligencia, y ese ambiente que no era metafórico sino duro y real como una escarpia, a él lo dejó igualmente risueño, descreído pero profundo: miró alrededor y hacia adentro para retratar una sociedad difícil desde el humor; comenzó a ejercerlo donde entonces se podía, en los cafés y en La Codorniz; (...) se resistió en Madrid como gato panza arriba y no regresó a ningún regazo de Logroño: siguió adelante, como un apátrida, como un alma desprovista de banderas. Un día le pregunté: "Rafael, ¿y no te vas de vacaciones?". "¿Yo? Si ya me fui de Logroño".".

Als primers anys de la capital ho va escriure tot, fins les revistes de decoracions. Va entrar a La Codorniz, on es va multiplicar escrivint i dibuixant com l'Azcona, l'Arrea, el Profesor Azconovan, l'Az o el Repelente, en honor a la seva saga que va tenir més èxit: El repelente niño Vicente. Allà va desplegar les ales com un cormorà de vol immediat i veloç, sempre àcid, a mig camí entre la biografia i el deliri, amb textos descantellats i tendríssims que s'enlairaven només a la primera línia, sinó abans. "Siempre me ocurre lo mismo; apenas soy presentado a alguien, el interfecto me dice: "Hombre, ¿por qué no se llama usted Pepe?", empieza en Por qué no me llamo Pepe. En Recuerdos de un hijo único cuenta cómo jugaba con el cadáver de su abuelo hasta que se estropeó, cómo martilleaba a su tía Eulalia o le quemaba el bigote a su abuela con gasolina. "No hay mayor dolor que recordar el tiempo feliz de la miseria", escribió este genio. "En La Codorniz nadie se atrevió nunca a mirar así. Toda la cuestión era una forma de mirar. Y Rafael consistía en una mirada, en unas gafas que iban rectificando el foco", diu en Sánchez Salas.

Entre els seus consells a literats joves, el professor Azconovian comença dient que entre ells "se ha extendido la costumbre de no comer con regularidad. Craso error" i segueix lamentant que els escriptors novençans s'enamorin de "señoritas muy decentes, muy buenas y muy limpias, pero pobres como imbéciles. Crasísimo error". Per parlar del sentit de l'humor d'aquell temps seu en què començava a fer-se un nom referia una anècdota que contava l'Agustín de Foxá sobre un pare veient una cursa de braus en companyia de la seva filla de cinc anys. La noia agafa una gran rabiola i el pare li diu per consolar-la: 'No ploris, toixa, mira com el brau treu les tripetes al cavallet'. A la seva mort en David Trueba el va recordar a El Mundo com un "sense-déu": "Solía decir: 'Cuando yo muera, tirad mi cadáver por un terraplén y, a ser posible, que se lo coman los cerdos; pero nada de agua bendita'". Això era perquè no li preocupava morir, que només provoca trastorn als qui hi quedaven, sinó la malaltia: "lo desvalido, lo vulnerable, lo asqueroso, lo obsceno que te hace".

Por qué nos gustan las guapas és la muntanya d'escriptura que l'Azcona va acumular a La Codorniz, senzilla i fàcil, irregular, tan cristal·lina que va enamorar en Ferreri per ficar-lo a fer guions. És un humor surrealista a vegades en textos breus que junts, inclosos les seves deixalles, funcionen com a muntanya russa. És la dècada dels 50 sota la mirada aterrida i compassiva d'en Rafael Azcona. "No he formado parte nunca de eso que ahora se llama la juventud. Nosotros lo que queríamos era ser mayores", va dir fa dotze anys a una de les millors periodistes d'Espanya, Cristina Fallarás, escriptora de prestigi i per això metàfora profundament azconiana del país: a punt de ser desnonada i vivint per sota del llindar de la pobresa. "¿Está enganchado a algo?", li va preguntar ella. "A la jodida vida".

En Cuerda és als llevants. Tenia raó l'Azcona amb això de no pujar al taxi i passejar o muntar a l'autobús, diu de sobte. "El otro día caminaba al mismo paso que dos tíos y uno de ellos le estaba diciendo al otro: 'Te voy a meter una patada en los cojones que te voy a arrancar la cabeza, no sé si me explico'. Ese 'no sé si me explico'. Pura literatura." Recordem una frase d'en Manuel Vicent: "No existe el miedo al folio en blanco, sino al escrito", que em va portar a la seva manera una altra de l'Azcona, a qui li preguntaven si s'alarmava per les notícies del consum de drogues de la joventut: "Eso es porque la televisión no podrá dar nunca la noticia de que hoy no se ha drogado nadie". De tots els nostres joves cadàvers va ser al que més ganes em van quedar de conèixer en vida, perquè de l'Umbral alguna cosa en sé pel Gistau, que l'acompanyava a la datxa quan la María España se n'anava i el vell escriptor quedava mirant fixament el jove: "¿Tú me harías la merienda?".

Si a alguns el cinema espanyol els sembla dolent no és perquè ho sigui, sinó perquè no l'escriu l'Azcona; posi vostè un malagueny a pintar després d'en Picasso. El cinema espanyol és difícil de fer, sobretot la comèdia, que és quan es radiografia un país en la seva versió final, com si tots els gèneres conduïssin a la compassió i per tant a la veritat. A mi Espanya no em sembla tan descantellada com la que llegia, però no sé si perquè se l'espera o s'espera a l'Azcona, que era el que millor la mirava. Va deure deixar les ulleres en herència, i de pas l'abonament per a l'autobús.

Va morir el Diumenge de Resurrecció. No li va fer feliç el cinema ni res. De fet, es preguntava on estava escrit que l'home tingués dret a ser feliç.